Crise de 29 x Crise Atual

Desvendando ambas as crises…

Fechamento

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Caros leitores,

É com pesar anuncio o fechamento do meu blog.

Meu objetivo principal era poder fazer um meio de informar as pessoas sobre a crise. Acredito e espero, ter conseguido. Mas não é somente por isso que vou desativá-lo. Como já cumpri com meu objetivo, não há mais um por que de continuar com o blog, que foi feito apenas para fins acadêmicos. 

Atualmente, nas aulass e claro, possuo já bastante tarefas e atividades extra-curriculares, o que ocupa já grande parte de meu “tempo livre.” Lógicamente, se tivesse mais tempo, adoraria continuar postando e eventualemente ajudando as(algumas) pessoas, e refletir principalmente, sobre o estado da economia no qual vivemos.

Gostaria de agradecer à todos que valorizaram esse blog, e principalmente ao meu Porfessor orientador Ibêre W., e ao economista Ricardo T. Favalli.

Porém, se possuírem alguma dúvida, entrem em contato!

Raphael C. O. Bomeisel

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Written by rbomeisel

14 de agosto de 2009 at 6:32 pm

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Keynes, Roosevelt e o New Deal

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keynesKeynes, o economista autor “The General Theory of Employment, Interest and Money” (Teoria Geral do Emprego, do Juro e do Dinheiro), que causou bastante polêmica, criou a ideologia Keynesianista. Suas idéias são de que o Estado deve interferir na economia, de modo que administre o mercado afim de se obter o pleno emprego. Essa ideologia foi bastante usada no New Deal(Novo ajuste).

 O New Deal foi o projeto criado pelo então presidente dos EUA, Franklin Delano Roosevelt, em 1933. O projeto consistia em fortes obras na infraestrutura, como estradas, hospitais, escolas, tubulações de esgoto, etc., gerando emprego. Com empregos, os cidadãos voltaram a consumir, as empresas aumentaram a produção e começaram a vender mais, contratar mais, e o capitalismo volta a crescer.

 

                                                                                                            John Maynard Keynes

Roosevelt teve coragem de aplicar este projeto keynesianista, que tinha o intuito do Estado interferir na economia, atitude inadmissível naquela época cuja ideologia era o livre-mercado (o próprio mercado resolveria os problemas em que a economia se encontra). Roosevelt prometera ao povo americano na campanha para a eleição, que usaria o poder total do governo, para resgatar os EUA da depressão. As promessas de Roosevelt incluíam:

· Emprego para a população.

· Proteger a poupança e a propriedade dos cidadãos.

· Melhorar a vida dos doentes, idosos e desempregados.

· Recuperar a indústria e a agricultura.

Acima as principais características do New Deal. Agora vamos estudar um pouco mais a fundo.

Para reaquecer a economia nos primeiros dias de seu mandato, Roosevelt pediu, através de um entrevista de rádio, aos americanos, que pusessem suas economias de volta nos bancos. Varias pessoas o fizeram. Gastou cerca de US$500milhões em “soup kitchens” (estabelecimentos onde pessoas podem se alimentar gratuitamente), planos para empregos e escolas para crianças de 3 a 5 anos.

Depois dessa pequena introdução, o New Deal começou a entrar na etapa onde o Estado mais fortemente, investiria na economia. Ele financiaria jovens desempregados por até 6 meses, para poderem viver enquanto procuravam emprego. Se o prazo de 6 meses acabasse, o acordo poderia ser renovado.

O próximo passo foi investir na agricultura. Além de abaixar os impostos, fazendo os preços caírem, o Estado ajudou também os agricultores ensinando-lhes a modernizar sua fazenda, ensinando métodos que conservavam e protegiam o solo. Em casos mais extremos, eles poderiam ser ajudados até com sua hipoteca.

 Um fato importante do New Deal, foi o forte investimento feito na infraestrutura dos EUA. A partir desse esquema, milhões de empregos foram criados. Durante o começo do New Deal, Roosevelt, foi muito criticado. Críticas como:

· O New Deal era muito complicado.

· O Estado não deve interferir na economia; ela resolverá por si mesma.

· Consistia em planos como os da comunista URSS, e que seriam irreversíveis para o livre-mercado.

 · Roosevelt estava se comportando como um ditador.

· A renda que Roosevelt fornecia aos desempregados não os dava estímulos para trabalhar.

 As críticas foram feitas antes e depois do primeiro New Deal.Porém após forte propaganda interna e conflitos na Europa os americanos começaram a ter a idéia que eleger Roosevelt seria algo para o bem da segurança nacional.

Keynes apesar de bastante criticado por pessoas do mundo inteiro, criou uma maneira de tirar até mesmo a maior potência mundial, da maior crise que o mundo viu(pelo menos nos EUA). O Keynesianismo talvez não seja a melhor ideologia para desenvolver a economia, gerar lucros, em meio ao mundo capitalista. Todavia, é fato que é bastante eficiente, em meio à uma enorme crise.

Fonte:http://www.liberalhistory.org.uk/uploads/keynes.jpg

Written by rbomeisel

19 de maio de 2009 at 6:19 pm

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O que é 1 trilhão de dólares?

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O que realmente vale o novo pacote do governo dos EUA.

 

  • Se alguém montasse um negócio no dia em que Jesus nasceu e se esse negócio  desse um prejuízo de 1 milhão de dólares por dia, todos os dias no ano, em Outubro do ano 2737 esse alguém perderia 1 trilhão de dólares.

 

  • Um trilhão de notas colocadas umas em cima das outras teria a altura de 109.435km, equivalente a um terço da distância da terra até a lua.

                                                                                                                                    www.sodahead.com

Um trilhão de segundos é igual a 31.546 anos. Então se você gastasse 1 dólar por segundo, ou 86.000 dólares por dia você teria de fazer isso todo dia até completar aproximadamente 32.000 anos.

 

Os pontos negativos de se gastar tudo isso.

 

                                                                                                                                                                                                                        

  • Obras públicas como hospitais, escolas, centros habitacionais, centros de lazer, etc., serão deixados de lado e privados da população americana.

 

  • Se o pacote não tiver sucesso Obama terá sua imagem manchada, fazendo com que se torne ainda mais difícil com que o conselho aprove um novo pacote e impedindo ainda mais a resolução da crise.

 

 

Os pontos positivos de se gastar tudo isso.

 

  • Se obtiver 100% de sucesso no plano, Obama, além de ter dado um empurrão para a economia voltar a girar, terá feito o Estado lucrar com isso.

 

  • Uma nova experiência fará com que os EUA prestem mais atenção na economia, para evitar novas crises financeiras, afinal, como diria Hitler: o passado é a melhor bola de cristal que se pode ter.

Fonte: Revista WHISTLE BLOWER. Volume 18, No 3.-Março de 2009

Written by rbomeisel

3 de maio de 2009 at 12:14 pm

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O Tesouro Americano

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·       O que é?

 

É o plano do governo americano para salvar os bancos que têm títulos podres, para acabar com o prejuízo dessas instituições. Acabando com o prejuízo, os bancos voltaram a emprestar para empresas e consumidores para reaquecer a economia. Será investido cerca de 1trilhão de dólares, sendo a maior parte do dinheiro público e cerca de 15% virá de investidores.

 

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     ·       Como funciona?

 

A entidade financeira possui ativos avaliados em US$100milhões. Ele sabe que para se livrar deles terá de abaixar o preço de venda para (por exemplo) US$70milhões, pois sabe da má qualidade dos títulos.

Os investidores fazem um leilão para a compra desses títulos. Quem oferecer mais dinheiro leva o montante. Aquele que oferecer os US$700milhões, será patrocinado pelo governo que entrará com US$60milhões, o tesouro entrará com US$5milhões e o investidor  US$5milhões.

Se a carteira de títulos valorizar, o banco levará os US$60milhões com o adicional de juros, e o tesouro e os investidores dividiram o lucro. Ou seja, todos ganham, o governo não gasta nada, os investidores e o tesouro lucram, e o banco volta a ter liquidez.

Porém pode ocorrer o contrário; se a carteira desvalorizar de US$70 milhões para US$ 10 milhões, o governo recebe estes 10milhões e fica com a carteira, os investidores e o tesouro perdem o que investiram.

Se tiver sucesso esse projeto pode a solução para o problema dos títulos podres e assim salvar o governo, se não tiver sucesso, pode manchar o nome do de Obama, e assim não conseguir um novo empréstimo do governo e agravar ainda mais a crise.

 

 

 

·        Relações com a Crise de 29

 

Podemos comparar esse plano com o início da Crise de 29 no qual o investidor adquiria um empréstimo no banco para poder comprar ações. Com esse empréstimo eles pagavam 90% das ações e depois apenas pagava 10% com seu próprio dinheiro. Assim ele comprava essas ações, esperava a valorização quitava a dívida com os dividendos adquiridos e embolsava o restante. Porém quando as ações caíram, os bancos não receberam a devolução do empréstimo aos credores e começaram a ter um enorme prejuízo. (leia a explicação completa)

 

É basicamente a mesma coisa, porém o banco que emprestava em 29, agora é o conjunto do tesouro, os investidores e o governo. Os credores seriam os investidores que seriam atraídos pela inexistência e a “limpeza” de títulos podres dos bancos. Se eles não investirem, tudo estará perdido.

 

Opinião de economistas famosos:

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Fonte:http://portalexame.abril.com.br/revista/exame/edicoes/0940/financas/1-trilhao-dolares-bastarao-432192.html

 

 1a  Imagemhttp://www.braziliantimes.com/images/0d98622ad9b710e1e783cdd8b02a48c5.jpg

 

Written by rbomeisel

29 de abril de 2009 at 10:51 am

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Entrevista Exclusiva Com o Economista Ricardo Terranova Favalli

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Ricardo T. Favalli, é economista do setor público.

 

 

1. De um modo geral, quais são as comparações que se pode fazer de ambas as crises?

 

            Bom, Raphael, primeiro te agradeço pelo convite, para que possa transmitir a vocês um pouco de minhas idéias sobre as crises econômicas.

 

Existem algumas comparações possíveis que podemos fazer, visando encontrar características parecidas entre os dois processos de crise econômica, aquele iniciado em 1929 e o presente, que se agravou no decorrer do ano de 2008.

 

Irei analisar alguns pontos que considero interessantes.

 

            Quero lembrar, inicialmente, que o processo de crise até o momento parece não afetar de forma tão significativa o Brasil, se comparado aos efeitos observados nos EUA e na Europa. O país está sendo afetado sem dúvida, mas ainda não na profundidade dos problemas observados nos países mais desenvolvidos e em outros países em desenvolvimento como o Brasil.

 

Por outro lado, os problemas econômicos estão ocorrendo no presente, sendo difícil fazer previsões sobre se a crise atingirá fortemente o Brasil, ou se por aqui os efeitos serão menos graves.

 

Quero dizer com isso que não temos consciência neste momento do tamanho da crise, ainda existem opiniões diferentes, sobre se o mundo econômico está iniciando uma recuperação, ou se ainda se aprofunda a crise. A segunda opção, do aprofundamento da crise ainda é a mais aceita pelos economistas mais renomados.

 

 

Voltando à sua questão, apresento a evolução dos processos de crise, quanto às características que se repetiram durantes as duas épocas que estamos analisando. Aqui se analisa a face financeira da crise:

 

 

a) Na crise de 29, e nesta que veio se agravar em 2008, foram registradas grandes perdas nos índices de bolsas de valores. A perda nos mercados bursáteis (= de bolsas), em outras palavras, a desvalorização das ações, foi marcante no decorrer das duas crises. As perdas nestes mercados se estendem a grande parte dos setores econômicos, principalmente aqueles compostos por grandes empresas e bancos.

 

 

b) As grandes corporações (empresas), juntamente com o setor bancário-financeiro, sofreram os efeitos imediatos da desvalorização acionária. O patrimônio de tais empresas e bancos (a maior parte deles é cotado em bolsa) é atualmente medido por seus valores em bolsa, e um movimento negativo em bolsa significa a diminuição de seus valores patrimoniais, ou seja, a perda do valor delas próprias perante o mercado.

 

 

c) Outro aspecto importante, é que os grandes bancos, ao perderem valor patrimonial (queda no valor de suas ações emitidas) como dito no parágrafo anterior, têm menor capacidade de emprestar, ou seja, a tendência é se fecharem a novos empréstimos, ou pelo menos os reduzirem. Isso afeta as empresas que necessitam dos recursos de empréstimos e financiamentos para suas atividades de produção e têm menos acesso a estes recursos.

 

 

            d) Esta pressão sobre as empresas resulta em que várias delas sejam obrigadas a diminuir a produção/ atividade e a demitir, o que faz com que a economia como um todo tenha queda na produção e aumento no desemprego. O PIB dos países registra crescimento menor ou até retração, como ocorreu em muitos países (principalmente EUA e Europa) desde o 2º. semestre de 2008.

 

            e) A maior taxa de desemprego dos trabalhadores, ainda reflete em menor massa de salários, ou seja, menos gente pode comprar, portanto novamente as empresas são afetadas, não conseguem vender sua produção como antes o faziam, existindo um novo estímulo para que reduzam sua produção. A redução de empréstimos e financiamentos disponibilizados pelos bancos também afeta as vendas (consumo), já que muitas delas são feitas à prazo, necessitando do financiamento bancário (que está menos disponível a todos como vimos acima).

 

 

            As características de a) até e) que apresentei representam o processo de crise econômica, que se repete, esteve presente na crise de 29, e aparece de novo no presente. Existem outros aspectos que alimentaram as duas crises, que posso abordar posteriormente, aqui quis mostrar como a crise tende a se aprofundar, a partir da desvalorização do mercado acionário.

 

            Quanto aos impactos das perdas acionárias, deve ficar bastante claro, que é esse o motor da crise, ou seja, transmite as perdas para os diferentes setores, já que os agentes econômicos (empresas, bancos, investidores) mais representativos na economia atual (e no período de 29 na economia americana) têm seus investimentos em ações, ou outros investimentos ligados diretamente ou ao menos influenciados pelos índices das bolsas de valores.

 

            Para encerrar essa primeira questão quero deixar bem claro que a desvalorização acionária, embora seja transmissora dos efeitos de crise aos diversos setores (como eu disse no parágrafo anterior), não é o fato gerador dos problemas, tanto na crise de 29, quanto nessa que estamos atravessando.

 

            Em ambos os períodos (29 e atual) existiram fatores que geraram o início dos períodos de crise, ou seja, problemas na economia real, gerados por excesso de produção, por excesso de empréstimos, falta de regulação pública das atividades bancárias e financeiras, entre outros fatores, que resultaram em perspectivas ruins para a economia como um todo, se refletindo nas quedas dos índices das ações nas bolsas do mundo.

 

            Quanto aos fatos geradores da crise algumas diferenças ocorreram entre aquela crise lá atrás e a atual, assunto que falaremos nas questões a seguir.

 

 

 

2.O senhor acha que a crise atual, será mais impactante que a crise de 29? Por quê? 

 

Como disse na primeira questão, é difícil fazer previsões sobre a gravidade da crise dado que estamos ainda no meio dela. A crise que ocorreu no século passado foi bastante grave, assolando principalmente as economias centrais (EUA e Europa). A crise atual parece assolar um número muito maior de países, ou seja, maior parcela do mundo está envolvida na crise, o que ocorrer pela globalização dos mercados financeiros, do comércio e da economia como um todo.

 

            A crise anterior se agravou ao longo da década seguinte (anos 30) e muitos afirmam que isso ocorreu pela insuficiência das ações dos governos em conter a crise. Isto ocorreu principalmente pelo fato de ser a 1a. crise do modelo capitalista financeiro americano(baseado no mercado financeiro, de bolsas de valores), e os governantes não terem experiência, já que até então a economia se portava muito bem, caminhava sozinha.

 

E antes de 29, as crises não eram previstas, nem mesmo pelos estudiosos de economia, acreditava-se que o mercado se regularia por si mesmo e geraria benesses a todos. O pensamento que dominava era o do livre mercado, não haveria necessidade de ação dos governos.

 

A crise era mesmo muito grave, os EUA perderam a partir de 29 grande parte do que conquistaram durante toda a década de 20, os governos tiveram então de começar a agir. Mas como não tinham conhecimento sobre as crises, o que é dito é que as ações foram insuficientes em um primeiro momento, e estenderam e aprofundaram a retração econômica.

 

Apenas com as políticas de Franklin Roosevelt de atuação forte do governo é que veio a economia a iniciar a recuperação, a partir do meio da década de 30. Portanto, durante quase meia década os EUA e a Europa sofreram os fortes efeitos daquela crise econômica.

 

            Os problemas atuais são tão complexos quanto aqueles observados na crise passada e, como descrevi na questão anterior o processo atual percorre o mesmo caminho, desvalorização acionária, restrição de empréstimos e financiamentos, desemprego, o “círculo vicioso” se repete.

 

            A esperança que alguns mantém, grupo em que me incluo, é que a crise não tenha tanta intensidade, embora nos EUA isso não possa ser mais dito já que ali a situação já é bem grave no momento. O que se espera é que não se mantenha por muito tempo a depressão econômica, dado que os governos vêm se esforçando para reverter este processo.

 

            É difícil falar que uma crise é mais grave que a outra, mas por ser otimista, aguardo que as políticas adotadas pelos governos nacionais e órgãos internacionais tenham efetividade no sentido de solucionar os problemas atuais. Ao contrário do início do século XX, nesse momento estes agentes públicos têm instrumentos para devolver aos países o crescimento econômico.  

 

Portanto, o determinante para a recuperação da economia mundial é e será a adoção de políticas corretas pelas autoridades nacionais (governos) e dos organismos econômicos internacionais. Caso as medidas escolhidas tenham sucesso, existirão condições para melhora das condições econômicas a partir de 2010, o que discutiremos na questão 4.

 

           

 

3.Havia algum modo de prever ambas as crises?

 

 

            Existem economistas que estavam alertando sobre os perigos de crise econômica desde 2006/2007, principalmente dentro da economia americana, onde se deu a origem da crise. Um deles é o economista Nouriel Roubini, ele é muito crítico, até mesmo pessimista, mas suas previsões vêm se confirmando, o que é de certa forma preocupante.

 

            Na visão dele, a depressão econômica deve continuar por mais um tempo, ele considera que há chances pequenas da economia americana se recuperar a partir de 2010.

 

             A crise era previsível para alguns, mas previsões econômicas são muito difíceis, já que a informação necessária para estudar-se os fenômenos econômicos é muito extensa, normalmente pouquíssimos conseguem reunir todos os dados disponíveis e fazer previsões acertadas.

 

            Mas a situação americana no mercado imobiliário, de alto endividamento das famílias incompatível com seu nível de renda, era indício de que algo estava muito mal.

 

Quando o altíssimo endividamento médio foi detectado, instalaram-se dúvidas sobre a capacidade de pagamento das hipotecas (financiamentos imobiliários de suas casas) pelas famílias. Os bancos diminuíram então o acesso ao crédito (empréstimos e financiamentos), crédito que era essencial para a continuação daquele modelo americano.

 

            Daí decorreu o início da crise de confiança, crescimento da inadimplência (não-pagamento) dos devedores (associado ao não refinanciamento das hipotecas pelos bancos), e contágio da crise ao mercado financeiro, sobretudo às bolsas de valores, iniciando o movimento descrito na questão 1.

 

 

            Enfim, respondendo à pergunta, a partir da percepção do excesso de endividamento das famílias, em relação à sua renda, muitos observavam aquele fenômeno como embrião de uma grande crise, que acabou se confirmando, principalmente nos EUA.

 

A crise poderia portanto ser prevista na virada de 2006/07, mas muitos preferiram “fechar os olhos” e evitar ver o que já era bastante claro para alguns: uma grande crise econômica estava por vir.

 

            O que interessa é que se construam mecanismos de regulação pelo governo, para que as crises sejam mais previsíveis, as grandes instituições sejam acompanhadas quanto à sua exposição a riscos, ou seja, que o setor público tenha instrumentos para prevenir o acontecimento das depressões econômicas como a que verificamos atualmente.

 

 

 

4. O atual presidente dos EUA, Barack Obama, está se preocupando mais em aumentar a renda da população. Roosevelt se preocupou mais em obras na infraestrutura para gerar emprego. Qual das duas opções foi mais coerente na sua opinião?

 

 

            Raphael, na verdade o que acontece é que as políticas de ação direta do governo (conhecidas como políticas fiscais), devem ocorrer em uma economia capitalista em qualquer tempo, para o objetivo corrigir distorções das ações privadas (das indústrias, dos bancos, dos investidores, etc.).

 

            O interesse privado (empresários em geral, trabalhadores) nem sempre gera um resultado satisfatório para a economia como um todo. Ou seja, em muitas áreas é necessária uma ação complementar do governo, ou mesmo principal, pois o investidor privado não supre as necessidades da economia como um todo, de um país por exemplo.

 

            Áreas como transportes públicos, infra-estrutura (portos, aeroportos, energia) muitas vezes carecem de um impulso governamental para serem condizentes com as necessidades de uma nação, embora possam ter empresas privadas atuando, sem a menor dúvida. Uma adequada regulação e fiscalização por parte do governo é necessária para evitar, ou ao menor amortecer as decorrências das crises.

 

            Mas a ação de governo tem de se expandir, e muito, em momentos de crise, quando os agentes privados se retraem, e dessa forma não investem, não consomem, e portanto não movimentam a economia.

 

Aqui existe novamente a referência ao “círculo vicioso”, onde a crise de confiança do setor privado gera: menor investimento, desemprego do trabalhador, queda na renda (menos pessoas empregadas), queda no consumo, este último gera nova queda no investimento, mais desemprego… Aqui se demonstra que a depressão econômica se alimenta dela mesma.

 

Dado esse quadro muito negativo no setor privado, o setor público precisa atuar fortemente, na forma e na quantidade que lhe for possível. Claro que têm de ser detectadas que políticas devem ser adotadas, que setores são prioritários, e essa é a tarefa complexa que os governos e outras instituições públicas nacionais e internacionais têm de cumprir plenamente para que as economias nacionais passem a se recuperar a partir de agora.

 

            Respondendo à pergunta, ambas as políticas, adotadas por Roosevelt, mais focadas na infra-estrutura, e por Obama, mais centralizada no aumento da renda, têm sua importância, e mais, carecem de várias outras ocorrendo.

 

Têm de ser adotadas políticas dos mais diferentes tipos, como o saneamento do sistema financeiro e de setores estratégicos para a economia como a grande indústria e o setor agropecuário, a busca pela manutenção do emprego e da renda da população, e investimentos em diversas áreas, inclusive de infra-estrutura.

 

Esta última política (aumento dos investimentos públicos), sem dúvida, teria efeito mais forte do que as outras medidas citadas (pelo efeito multiplicador do investimento: pesquisar), mas os investimentos levam um tempo relativamente maior surtir efeitos positivos sobre a economia, por isso não deixam de necessitar de ações mais rápidas como o corte de impostos adotado nos EUA, e aqui no Brasil pelo Presidente Lula.

 

            O que quero demonstrar aqui é que o trabalho das autoridades nacionais e internacionais é muito grande, e o tempo dirá quais políticas serão mais eficazes ou não, Como as crises tem muitas semelhanças, mas também diferenças, o governo tem de atuar de forma mais abrangente possível, para buscar compensar de forma eficaz a depressão dos investidores privados.

 

Num momento seguinte, em que a economia esteja em uma fase melhor, o Estado (governo) pode diminuir sua participação e “deixar que o barco ande” de forma mais autônoma, espontânea.

 

Por último, quero deixar a mensagem muito importante de que a ação regulatória dos governos nacionais e órgãos internacionais deve ser desenvolvida, para que crises futuras se repitam.

 

           

Dadas essas respostas, espero ter contribuído com suas pesquisas, um grande abraço. (RICARDO TERRANOVA FAVALLI)

Written by rbomeisel

11 de abril de 2009 at 1:54 pm

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Entendendo o Subprime!

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A grande dúvida da crise!

O que é Subprime?

 

Subprime lending rate é um crédito dado à uma pessoa que terá um pagamento incerto. É um empréstimo feito à pessoas que não são seguras na esperança de um retorno. Ao contrário delas, existe o prime lending rate, o grupo na qual se encontram os credores de baixo risco de inadimplência.

Individualmente o subprime pode ser arriscado, porém, em grande quantidade podem ser lucrativos(ou não como no caso da crise) aos bancos; os juros altos que serão pagos ao longo da vida do empréstimo aumenta muito mais do que o valor inicial do empréstimo, podendo cobrir o buraco feitos pelos credores inadimplentes e ainda gerar lucro ao banco.

O problema é que houve uma porcentagem muito pequena de pagamentos na crise, gerando uma “bolha” de títulos podres, causando um déficit enorme para os bancos.

 

 

Fonte: http://www.investopedia.com/terms/s/subprimeloan.asp

 

 

 

 

 

Written by rbomeisel

24 de março de 2009 at 8:08 pm

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Entendendo Ambas as Crises

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Esta charge retrata, de um modo humorístico, os principais afetados pelas crises.

Por isso, vou usá-la como introdução deste post, que pretende explicar melhor a origem de ambas as crises.                                                                                                   

            Como podemos observar no primeiro quadro, que expõe a situação da crise de 29, um banqueiro se joga de uma janela de algum prédio dos EUA, provavelmente em Wall Street. No segundo quadro, onde a atual crise é representada, vemos pessoas sendo jogadas do mesmo prédio, só que agora é o banqueiro quem as joga.

            A relação da origem de ambas as crises é bastante parecida. A primeira (de 29) se originou da superprodução das indústrias que cresciam absurdamente. As ações sempre estavam em alta, e a produção de ferro agia em 100% de sua capacidade. O mercado de ações fervilhava. Um cidadão que não possuía dinheiro obtinha empréstimos nos bancos. O empréstimo concebido pagava cerca de 90% do valor total da ação. O cidadão-investidor comprava a ação, esperava-a valorizar, vendia, quitava sua divida com o banco e embolsava o lucro. Porém houve uma hora em que o consumidor já não precisava mais dos produtos fabricados e houve uma brusca queda no consumo destes. Porém as indústrias não acompanharam esta queda, o que levou a um enorme prejuízo. Os investidores que investiram na bolsa, perderam tudo e não tinham como pagar os bancos e, muitos, quebraram. Mas por que os banqueiros foram os mais afetados? O povo não sofreu demissões em massa? Sim, sofreu.Sofreu muito também pois o atual presidente, Herbert Hoover demorou muito para agir. O governo da época estava muito ligado com o livre-mercado, portanto, acreditava numa mudança milagrosa que revertesse o efeito da crise. Milhares de americanos perderam seus empregos agravando ainda mais a crise. O mundo todo estava em meio a uma crise enorme.

 Mas com a chegada de Franklin Delano Roosevelt, melhorou. Ele aplicou formas Keynesianistas, e com fortes reformas na  infraestrutura americana, gerou empregos e aqueceu, depois de algum tempo, a economia. Um grande trunfo de Roosevelt foi aplicar na infraestrutura, pois isso reaqueceu a economia, criando consumidores,as empresas começaram a produzir mais e vender mais. A confiança voltara. Na economia, a confiança é o que determina a queda ou a valorização. A certeza de lucro.

            A atual crise no mercado imobiliário dos EUA. Americanos compravam casas a prazo com crédito do banco, dando como garantia, uma hipoteca da própria casa adquirida. Essa hipoteca, que se chama subprime, era negociada pelos bancos que acreditavam em um retorno dos consumidores. Em meio à esta agitação do mercado imobiliário, houve uma produção muito grande de casas. Com isso ocorreu uma desvalorização de casas, por que quando um produto está em abundância no mercado, ele tende à cair. Além também da inadimplência. A queda da hipoteca acompanhou a queda dos preços das casas. Os bancos tinham muito menos do que esperavam; as transações feitas entre os bancos que vendiam e compravam estes títulos podres, havia valorizado o preço destes muito além do que eles realmente valiam. E então bancos quebraram, levando consigo ações de outras empresas que também quebraram e demitiram muitos funcionários diminuindo o mercado consumidor de todas as empresas. O famoso “efeito dominó.” Mas agora era a vez dos bancos serem ajudados. O governo gastou mais que US$1trilhão para comprar títulos podres de bancos e impedir que eles quebrassem. Os banqueiros foram salvos, já o povo ainda não.

            Pode-se dizer que a Crise de 29 foi uma crise de mercado que influenciou o sistema financeiro, e a atual crise uma crise financeira que influenciou o mercado. E que nem sempre, onde a crise é originada é onde tem o maior impacto econômico.

 

 

 

 

Fonte:BRENER, Jayme. 1929: A Crise Que Mudou O Mundo. São Paulo: Ática, 1997.

 

 

 

Written by rbomeisel

14 de março de 2009 at 1:58 am

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